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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Festival Música nas Montanhas - Encerramento

A platéia lotou o Teatro Benigno Gaiga / Foto por Leko Machado
Olá, pessoas! Desculpem-me pela ausência, acabei me desleixando com relação a cobertura que me dispus a fazer do Festival Música nas Montanhas, não cumpri com o que havia prometido: postar um texto sobre cada apresentação que eu comparecesse. Esta postagem que você está lendo marcará o final das postagens relacionadas ao Festival.

Sábado (22) foi a despedida desse grande evento da nossa cidade - em grande estilo, diga-se de passagem. Eu acho que nunca vi o Teatro Benigno Gaiga tão lotado como aquele dia. As pessoas, na falta de cadeiras, tiveram que improvisar fileiras com cadeiras de plástico entre os corredores, sem contar os que ficaram de pé ou assistiram sentados no chão. O fato é que ninguém ali se importava em estar sentado confortavelmente, a prioridade era confortar os ouvidos, a alma e o coração. Antes de começar o concerto, foi exibido um vídeo contendo fotos do artista-fotógrafo bageense Leko Machado, que já foi citado aqui no blog em uma postagem e roubou a cena no Festival com a sua sensibilidade transmitida em fotografias. No final do vídeo, aplausos - como não poderia deixar de ser diante de uma bela obra como aquela. Ah, inclusive, vale ressaltar que resolvi usar algumas fotos tiradas por ele nessa postagem, como uma forma de reconhecimento do belo trabalho desse gaúcho, que com certeza vai voltar pra registrar os próximos festivais.

Guigla Katsarava / Foto por Leko Machado
A primeira obra apresentada foi o Concerto Nº1 para Piano e Orquestra, do húngaro Franz Lizt (1811 - 1886). O destaque dessa parte do espetáculo ficou por conta de Guigla Katsarava , pianista virtuoso que tem um poder sobrenatural na interpretação das obras. A emoção dele em tocar piano é explícita nas expressões faciais dele, que mudam de acordo com o andar da música, além da velocidade e destreza que deixaram todos de queixo caído. Hoje, ele mora na França, onde é professor desde 1994 do Conservatório Nacional Superior de Paris, escola-modelo em música e dança. A participação dele foi aplaudida de pé pelas centenas de pessoas que estavam no teatro por mais de uma vez, ele voltou ao palco umas três vezes, inclusive interpretando mais uma obra, desta vez sozinho.

 Depois da saída de Katsarava do palco, seguiu-se sob regência do maestro Jean Reis o concerto com a obra A Sagração da Primavera, de Igor Strawinsky (1882 - 1971). Tudo era realmente de arrepiar, inclusive o fato de que um dos violoncelistas da orquestra era William Neres, um amigo e irmão que criou junto comigo a Poesia Concertante. Se você quiser ver como era o grupo antes da saída dele, clique aqui e vá direto pro canal do Youtube assistir.

Aliás, essa não foi a única vez que a Poesia Concertante esteve presente no Festival Música nas Montanhas, a pianista do grupo, Fernanda Dearo se apresentou na Igreja Matriz junto ao coral do festival. Fiquei muito orgulhoso quando encontrei ela lá e ela me falou que ia cantar!
 
Jean Reis / Foto por Leko Machado
Músicos, músicas, platéia, crianças que imitavam os movimentos dos maestros, pessoas que dormiram enquanto as notas soavam, que choraram, que riram, se espantaram, se emocionaram e se arrepiaram. Acima de tudo, pessoas que apreciaram e não perderam a oportunidade de presenciar belos momentos como estes. Tenho orgulho em ter feito parte deste seleto grupo que valoriza a música e não quer saber de rótulos. Você que perdeu, vê se não perde de novo no ano que vem, é um belo evento e você merece isso. É cultura de graça gente! Ano que vem pretendo estar lá de novo, apreciando e aprendendo com esses magníficos músicos que fizeram com que a nossa cidade soasse em tons maiores durante alguns dias. Que venha o próximo Festival Música nas Montanhas em 2012.

Bom, é isso. Meu ano começou bem, com música boa! Até a próxima postagem e não esqueçam de comentar, pois o comentário é a única forma de um blogueiro saber se seu trabalho está dando certo ou não.

Abraços e obrigado por ler.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Festival Música nas Montanhas - UFRN Cellos

O Festival Música nas Montanhas continua à todo vapor, promovendo o acesso livre à cultura para a população poçoscaldense, turistas, extraterrestres e qualquer um que tenha a cabeça e os ouvidos abertos. Aqui no blog Poesia Concertante, vocês acompanharão a cobertura de alguns concertos, os que eu puder comparecer. Até o dia 22 de janeiro, muitas notas vão ecoar em teatros, hospitais, praças, na zona rural e vocês poderão acompanhar por aqui um pouquinho do que foram esses espetáculos.

Depois de toda brasilidade apresentada pelo grupo paulistano Choro Rasgado (clique aqui para ler o texto), foi a vez da leveza e imponência dos violoncelos encantarem a platéia no Teatro Benigno Gaiga, na terça-feira, dia 11. A apresentação foi da UFRN Cellos, que conta com 9 instrumentistas alunos de cursos técnicos, bacharelado e de extensão. São eles: Mayara Alencar (PA), Cristian Brandão (SP), Dora Uthermol (RS), Diego Paixão (RN), Kalim Campos (PB), Ana Beatriz Censi (SP), Júlio Cesar Freitas (RN), Camila Zerbinatti (SP), Kalyne Valente (PA). São 9 jovens talentosissimos, que escolheram a música erudita como caminho! Ótima escolha, diga-se de passagem.


A orquestra veio sob a direção artística de Fábio Presgrave, violoncelista brasileiro de renome internacional, formado pela Juilliard School (Nova Iorque). Leciona música na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é diretor da Escola de Música de Macaíba (RN) e Doutor em música pela UNICAMP. Participou do álbum Dante XXI, da banda Sepultura, que, inclusive, é mineira e leva o nome do nosso amado e musical estado pro mundo inteiro. Ah, uma curiosidade: eu conheço ele já tem um tempo, desde a época em que eu era recepcionista do Hotel Estalagem do Café, no qual ele se hospeda (ou se hospedava) todos os anos para o Festival. Bom, voltemos a falar do concerto...

O teatro estava entupido de gente, com pessoas sentadas até no corredor por falta de espaço nas cadeiras. Ninguém tirava os olhos e os ouvidos da orquestra, que interpretou com maestria obras de compositores como Bach e Villa-Lobos. Tudo estava impecável: a vestimenta, a execução, a emoção transmitida, enfim, tudo. A cada final de música nós, da platéia, batíamos palma com força e vontade, até doer as mãos.

Todos estavam aguardando uma surpresa anunciada: a presença da soprano Alzeny Melo, solista do grupo de violoncelos. Ela é várias vezes diplomada e já participou de vários master classes e óperas como: A Flauta Mágica (de Mozart), Les Fêtes de l'Amour et de Bacchus (de Lully) e Romeu e Julieta (de Gounod). Foi também várias vezes premiadas em renomados concursos de canto lírico. Eu e mais umas centenas de pessoas ficamos paralizados vendo ela soltar aquele vozeirão, que ia da calmaria a fúria em pouquíssimo tempo. Ela foi aplaudida por essas mesmas centenas de pessoas que estavam paralizadas de pé, durante alguns minutos de palmas ininterruptas. "Bravo! Bravo!" Isso era o que dava pra ouvir de várias pessoas! Concordo plenamente com elas, e digo mais, não tem nada de bravo...e sim bravíssimo! Linda apresentação da carismática-cantora da-voz-potente, que cativou todos com o sorriso, com a voz e a satisfação explícita em estar ali se apresentando tão longe de casa.

Quando todo mundo achou que tinha acabado aquele belo concerto, voltaram os nove músicos e se despediram do Festival Música nas Montanhas com bom humor, tirando risadas da platéia com a interpretação do tema do desenho que eu sou fã: Os Simpsons, e eu filmei esse momento. Confiram no vídeo. Assim foi mais um concerto desse festival que faz os começos de ano ficarem belos, com muita música! Música livre, pra todo mundo!

E você que tá lendo isso e morrendo de vontade de ver uma coisa dessas ao vivo, terá ainda muitas oportunidades. Cabe a você aproveitá-las ou não. Eu faço por mim e contribuo para que vocês façam o mesmo, convidando-os para participar! Espero que estejam gostando da cobertura que eu estou fazendo por conta própria do festival.

Ah, e uma dica que vale a pena ser seguida: tem um fotógrafo aqui na cidade lá de Bagé, no Rio Grande do Sul, fazendo uma cobertura fotográfica das mais belas do festival. Mas não são fotos comuns, é pura arte! Só falta dar pra ouvir os sons nas fotos, de tão lindas que são. O nome do artista é Leko Machado, e você pode conhecer o belo trabalho dele acessando o site do fotógrafo, que é diariamente atualizado com as fotos dos concertos. Clique aqui e vá até o site, garanto que não vai se arrepender!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Festival Música nas Montanhas - Choro Rasgado

Há 12 anos Poços de Caldas é sede do evento musical que está entre os mais importantes do país: o Festival Música nas Montanhas. Durante 14 dias a cidade transpira música por todos os poros. São mais de 30 concertos abertos ao público e mais de 40 oficinas sobre música erudita e instrumental para todos os instrumentos que compõem uma orquestra. Acesso livre a cultura para a população poçoscaldense, que tanto reclama da falta de eventos culturais na cidade. O problema maior não é a pessoa reclamar que não tem bons eventos em Poços. O maior problema é o reclamão não aproveitar a oportunidade quando ela aparece! (risos) É rir pra não chorar, né? Ah, e por falar em chorar...



O segundo dia do FMM (10, segunda) fugiu os padrões do evento. Foi uma boa fugida de padrões, de muito bom gosto! Dois violões (sendo um de 7 cordas), um pandeiro e uma flauta transversal. Se você que tá lendo é um bom brasileiro já deve ter deduzido que se trata de uma formação típica de um grupo de chorinho, né? E não é um grupo qualquer de choro, é o grupo Choro Rasgado, formado por músicos que estão entre os maiores entendedores do assunto no país. Os quatro chorões são: Roberta Valente (pandeiro), Alessandro Penezzi (violão solo), Zé Barbeiro (violão de 7 cordas) e Rodrigo Y Castro (flauta transversal). Os chorões, tanto os do palco quanto os da platéia eram só sorrisos do começo ao fim do show, que teve no repertório músicas próprias do grupo e interpretações dos mestres do gênero.




Das canções compostas pelos membros do grupo, algumas tem histórias engraçadas, particulares e curiosas. Olha só:
  • "Ó do Borogodó" (Zé Barbeiro) - A música tem o mesmo nome do bar que o grupo se apresenta toda semana em São Paulo. Foi composta para simbolizar toda alegria que conduz os shows do quarteto neste bar. Segundo eles próprios, é um fuzuê danado!
  • "Chá de Macaco" (Zé Barbeiro) - Foi escrita depois que o compositor foi convidado a tomar um Chá de Macaco. A expressão é usada para bebidas muito fortes.
  • "Roberta, Olha o Breque!" (Zé Barbeiro) - "Essa ele fez pra complicar a minha vida, como vocês verão!", Roberta, antes de iniciar a execução da música que é um desafio e tanto para qualquer bom pandeirista, com breques inesperados e imprevisíveis.
  • "Capitão Rodrigo" (Alessandro Penezzi) - Feita para o flautista do grupo. Segundo ele, sua mãe não perdia um episódio da minissérie "O Tempo e o Vento" (1985), que tinha um personagem com o mesmo nome.
  • "Ao Mestre" (Alessandro Penezzi) - O compositor dedica essa canção a Sérgio Belluco, que foi seu professor de violão.
  • "São Braz" (Alessandro Penezzi) - Feita em homenagem a avó materna do compositor, que dava um tapinha nas costas da pessoa e falava "São Braz!" toda vez que alguém espirrava!
  • "Na Segunda Ele Fica Vermelho" (Alessandro Penezzi) - Inspirada no clarinetista Anderson Alves - apelidado de "Esparadrapo" - que ficava vermelho e sem fôlego quando executava a segunda parte da música "Espinha de Bacalhau", que tem grande quantidade de notas.
Muito legal, né? Eu achei interessante demais e resolvi anotar tudo que eles falavam sobre as músicas. As pessoas me olharam de forma meio estranha quando eu tirei um caderno de 10 matérias da mochila e comecei a fazer umas anotações, mas...(risos)

Além das canções autorais, o quarteto interpretou clássicos de mestres da música. Eu e a minha amiga Mariele Akstein (que me fez companhia) ficamos boquiabertos e tentando entender como era possível aquele flautista tocar naquela velocidade em "Tico-Tico no Fubá", clássico de Zequinha de Abreu. Ah, e ver o Teatro Benigno Gaiga lotado cantando "Carinhoso" (Pixinguinha e João de Barro) foi algo arrepiante e emocionante! Imaginem centenas de vozes cantando em coro: "Meu coração, não sei porquê, bate feliz quando te vê...". Só de lembrar me dá arrepios! Agora, sinceramente, vou contar um segredo pra vocês: eu fiquei com medo quando eles tocaram a última música. Achei que o teatro ia cair! Quase saí dali com medo de morrer no meio de escombros, mas aí depois pensei: "Ah, pelo menos vou morrer feliz!". Qual era a música? "Brasileirinho", de Waldir Azevedo. Acho que não preciso falar mais nada né?

Quando acabou o show, saí correndo do teatro pra poder comprar o primeiro CD do grupo, chamado "Baba de Calango" (2004). Na volta pra casa, dentro do ônibus, peguei o encarte do disco pra dar uma lida e não é que tive uma ótima surpresa? O álbum tem uma pitadinha de Poços de Caldas com um texto do conhecidissimo jornalista e blogueiro Luís Nassif falando sobre a o quarteto.


Isso é que eu chamo de começar bem a semana! Injetei uma dose cavalar de música brasileira na veia! Aguardem por mais postagens sobre o 12º Festival Música nas Montanhas. O evento acontece até o dia 22 de janeiro! Só deixa de ter acesso a cultura quem quer, hein pessoal? Tem muita coisa boa pra rolar ainda!
Pra você que perdeu este espetáculo, só resta assistir ao vídeo abaixo:


Links:12º FMM (site oficial) - http://www.festivalmusicanasmontanhas.com/
Choro Rasgado (site oficial) - http://www.chororasgado.com/
Portal Luís Nassif -
http://blogln.ning.com/
Fotos e texto por Tokinho / Vídeo por José Edilberto (retirado do Youtube)
Agradecimentos: Juliana Incrocci e Mariele Akstein por me emprestarem a câmera fotográfica.